

Fillipe Loures
CRM-MG 55908
Médico de Família | Founder Voa Health
A inteligência artificial já seria aprovada no Revalida? Segundo um estudo publicado pela Voa Health, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a resposta é sim!
O artigo, publicado em fevereiro de 2025 no periódico internacional BMJ Health & Care Informatics, do grupo British Medical Journal, apresenta a primeira análise sistemática do desempenho de 31 modelos de linguagem (LLMs) em questões do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), em português.
O Revalida como ferramenta de validação
Reconhecido por seu rigor técnico e abrangência, o Revalida exige domínio do conhecimento biomédico, protocolos clínicos, diretrizes do SUS e terminologia médica em português. Por isso, foi adotado como base para testar a capacidade dos LLMs de operar em um cenário clínico-linguístico brasileiro.
O estudo avaliou os modelos com 110 questões objetivas das edições de 2020, 2022 e 2023. A desempenho foi comparada à nota de corte oficial do exame: 67% de acertos.
Resultados: 10 modelos aprovados
Os achados foram expressivos:
10 dos 31 LLMs superaram a nota de corte, com destaque para os modelos GPT-4o (OpenAI) e Claude Opus (Anthropic), que ultrapassaram 80% de acertos.
Esses resultados sugerem que os LLMs de última geração já conseguem aplicar conhecimento clínico com alta consistência em português, abrindo caminho para seu uso como ferramentas de apoio à educação médica e à triagem de informações clínicas.
Testar IA em português: por que é crucial
Modelos de IA são majoritariamente treinados em inglês, o que compromete sua aplicabilidade em contextos de língua portuguesa. Este estudo contribui para preencher essa lacuna, demonstrando ser possível obter bons resultados sem comprometer a segurança ou a adequação linguística.
O uso de uma prova como o Revalida garante relevância científica e contextual, ampliando a confiabilidade desses sistemas no suporte à decisão clínica e à formação médica no Brasil.
Limitações e aplicações emergentes
Apesar do bom desempenho, os LLMs não compreendem medicina no sentido humano do termo — operam por associação estatística. Isso, no entanto, não inviabiliza seu uso: define com precisão onde e como aplicá-los com responsabilidade.
Áreas promissoras de aplicação incluem:
Educação médica: geração de resumos, explicações didáticas e simulados.
Acesso à informação clínica: respostas rápidas baseadas em guidelines.
Automação de documentos: padronização de relatórios e prescrições.
Com validações adequadas e supervisão profissional, os LLMs funcionam como extensões do raciocínio clínico — ampliando capacidades, não substituindo médicos.
Implicações para o futuro da medicina no Brasil
Em um país com desigualdades regionais profundas e escassez de médicos, a IA validada e treinada em português pode democratizar o acesso ao conhecimento, apoiar o cuidado primário e contribuir para a equidade em saúde.
A Voa convida médicos, pesquisadores e desenvolvedores a explorarem os resultados completos da pesquisa: https://informatics.bmj.com/content/32/1/e101195
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